terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nota sobre um dragão

Tenho um dragão que mora comigo.

Diferente do conto do Caio, sim. Isso é verdade.

Tenho esse dragão que não é grande e não é pequeno, que cabe na boca feito um sopro e feito um gole de cerveja. Aprendi sobre aquilo tudo, vocês sabem, que dragões não dividem o seu espaço e blábláblá, mas por mais banal que eu seja, – uma das lições dizia que dragões não vivem com seres banais – ou, por mais inconcebível que seja o fato de um dragão viver com alguém, é fato que.

Eu não estou ficando louca. Ainda não.

Diferente da literatura, a grandiloquência não está na sensação de uma ideia parecer tão boa que é quase como se a idéia não fosse sua. Aqui, a sabedoria está em me manter paciente, quem sabe um pouco conformada, de que nunca me verei livre das ideias.

Eu não estou ficando louca. Ainda.

Por um tempo tudo foi silêncio. Eu não sabia que ele poderia existir, embora, hoje, pareça mais provável que no fundo eu já conhecesse a verdade sobre os dragões. Por um tempo tudo foi silêncio, apenas porque ele não havia chegado. Logo percebi os primeiros ruídos, mas preferi fingir que não o via disfarçado de planta ou de natureza morta, já que assim parecia mais simples. Optei pela simplicidade, e achei que essa escolha, automaticamente, me livraria do incômodo que é enxergar tudo que não seja invisível.

Eu não estou ficando louca.

Outra coisa que aprendi, ninguém é capaz de compreender um dragão. Um dragão jamais revela o que sente. Isso pode não parecer grande coisa, já que muitos seres, os reflexos por exemplo, também costumam dizer sempre o oposto daquilo que estão sentindo. Mas nenhum reflexo, e também poucas espécies, costumam acordar a qualquer horário e dormir em hora alguma. A noite do dragão é para dentro.

Eu não estou.

Tanto ao meio-dia, quanto na madrugada, terminei por acostumar com o calor. A temperatura sobe demais sempre que o dragão acorda. Porque além de bater a cauda três vezes, – e desde o dia que apareceu por aqui está sempre ao meu lado, logo, sacudo três vezes para esquerda e três vezes para direita – mas, além de bater a cauda, ainda solta fogo. O famoso fogo pelas ventas. Aquele fogo que todos os dragões soltam, desde o tempo dos contos de fadas. Dragões são muito apegados as tradições. Essa lição parecia ser a mais importante, e dizia que essa forma de acordar poderia ser a maneira, um tanto desajeitada, de um dragão desejar que o dia seja doce. Já que o dia, depois que o dragão amanhece, faz a boca se encher de amargo.

Eu.

Estou me confundindo, estou me dispersando.
Eu e o dragão que mora comigo.

3 coisa(s) que não devemos esquecer:

Pam Nogueira disse...

mas sabe que eu já tenho até um carinho pelo Bóris? hahahahaha

A Autora disse...

Mas se o fogo que sai das ventas te inspira tão bem assim, eu te dou um ventilador, mas deixa ele por aí.

Laranja.

Beijo

taishh disse...

So let's chase the dragon! Or not?