A Mesa 2 da Flip foi uma conversa entre Lionel Schriver e Patricia Melo, mediada pelo Arnaldo Block.
O tema era a literatura e a violência. Ou algo do tipo. Foi interessante, embora eu não tenha entendido até agora porque dessas duas autoras, já que uma delas escreve sim, aquilo que costumamos chamar de "romance policial" (mas na verdade não é bem assim), e a outra escreveu um único livro com esse viés (mas na verdade também não é bem assim).
Patricia Melo escreve sobre violência, literalmente, e seus livros pendem a literatura policial, embora eu ache que não podemos aplicar o conceito puro de literatura policial. É aquele policial que lembra o Rubem Fonseca, numa comparação que a autora não gosta, mas que é inevitável.
Lionel Schriver escreveu um romance onde se discute a violência, porém a aproximação com a literatura policial, ou algo parecido, termina nessa palavra.
De qualquer forma (e vai ver está aqui o ponto), as duas autoras tem um olhar interessante sobre indivíduo, sobre a sociedade e narrativa. Valeu a pena.
Idéias sobre escrever, narrativa, personagens e violência:
Lionel Schriver:
“Uso meus romances para resolver questões que não entendo, que tenho algum tipo de conflito. Sei que encontrei o mote da história quando me vejo em uma situação que tem dois lados e não sei para qual deles devo seguir.”
Sobre a estrutura do romance “O mundo pós-aniversário”
“A história se passa em um universo paralelo: enquanto se está optando qual o caminho que se deseja seguir, a personagem experimenta duas vidas. É uma tentativa de reconstruir a ação das pessoas quando precisam decidir sobre o futuro”.
Sobre “Precisamos falar sobre Kevin”
Escreveu o romance para sanar uma dúvida: ser ou não ser mãe.
O livro a ajudou a entender do que tinha medo. Foi dessa forma que se livrou da ideia.
Patrícia Melo sobre a mente de Kevin:
- narrativa impactante
- retrato da cultura norte-americana
- aspecto moderno da violência: a violência da linguagem
- Kevin não comete apenas um gesto, ele quer dizer alguma coisa - Esse símbolo da linguagem - está dizendo alguma coisa sobre o mundo contemporâneo.
Para Lionel, a violência não é uma linguagem articulada. No romance, não se entra na cabeça do adolescente, assim como é impossível fazer isso na vida real. “Não acho que ele própria entenda o que o levou a cometer o crime”. Para ela, existe uma motivação obscura: o desejo de ser único, singular em uma nação grande. As vezes isso significa ser perigoso.
A opção em narrar a história em primeira pessoa (a mãe de Kevin), faz com que o olhar sobre a personagem venha de um terceiro. Por isso, nem tudo é confiável. Kevin, o filho não muito desejado, é percebido pela mãe como mau desde bebê. Se levantarmos só uma questão: “o quanto de maldade uma criança muito pequena pode ter?”, percebemos que não podemos confiar totalmente no narrador.
Patrícia Melo:
“Escrever é fazer escolhas”
Gosta de lidar com a ideia de “destino” (no sentido grego, com toda a carga trágica). Esse destino é criado pelos personagens para que eles justifiquem suas opções, suas decisões.
Para isso, tenta criar ambivalência no caráter da personagem - “há um rio o levando, mas a qualquer momento ele pode sair do fluxo” - é muito cômodo ele achar que não existe saída.
Assim criou os personagens dos romances “O Matador” e “Ladrão de cadáveres”.
Patricia considera que “a sociedade é uma coleira para nossa selvageria”. E completa dizendo: “o que me faz escrever é a impossibilidade de responder sobre a questão da maldade humana. A maldade é inata, mas o ímpeto civilizatório é ligado ao instinto de preservação”.
Sobre a voz da narrativa: o que difere uma voz da outra são as histórias. Aquela voz que irá levar a história adiante.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Ainda é tempo - FLIP 2010
Faz mais de um mês que aconteceu a FLIP 2010. Minha ideia de postar coisas direto de Paraty não deu certo, por questões logísticas (e por preguiça intelectual). Na volta, acabei não atualizando o blog com as anotações que fiz, pois o trabalho me engoliu (e também a preguiça intelectual).
Mas como conhecimento não é datado, nem a curiosidade de saber o que os escritores pensam sobre questões que leitores e pretensos autores especulam, publicarei minhas anotações a partir de hoje.
Não existe uma sistematização. Porque cada mesa era completamente diferente da outra. Então, tentei colocar um pouco de ordem na anarquia do meu moleskine. Uma ordem bem caótica, por sinal.
No próximo post, o que eu lembro da mesa 3.
Mas como conhecimento não é datado, nem a curiosidade de saber o que os escritores pensam sobre questões que leitores e pretensos autores especulam, publicarei minhas anotações a partir de hoje.
Não existe uma sistematização. Porque cada mesa era completamente diferente da outra. Então, tentei colocar um pouco de ordem na anarquia do meu moleskine. Uma ordem bem caótica, por sinal.
No próximo post, o que eu lembro da mesa 3.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Teoria dos caranguejos - por JC*
Tinham construído a casa no limite da selva, orientada para o sul evitando assim que a umidade dos ventos de março se somasse ao calor que a sombra das árvores atenuava um pouco.
Quando Winnie chegava
Deixou o parágrafo no meio, empurrou a máquina de escrever e acendeu o cachimbo. Winnie. O problema, como sempre, era Winnie. Quando tratava dela a fluidez se coagulava numa espécie de
Suspirando, apagou numa espécie de, porque detestava as facilidades do idioma, e pensou que não poderia continuar trabalhando até depois do jantar; as crianças logo iam chegar da escola e ele teria que preparar o banho, fazer a comida e ajudá-las nos seus
Por que no meio de uma enumeração tão simples havia como um buraco, uma impossibilidade de continuar? Era incompreensível, pois tinha passagens muito mais árduas que se construíam sem nenhum esforço, como se de algum modo já estivessem prontas para incidir na linguagem. Obviamente, nesses casos o melhor era
Largando o lápis, pensou que tudo se tornava abstrato demais; os obviamente os nesses casos, a velha tendência a fugir de situações definidas. Tinha a impressão de estar se afastando cada vez mais das fontes, de organizar quebra-cabeças de palavras que por sua vez
Fechou abruptamente o caderno e saiu para a varanda.
Impossível deixar essa palavra, varanda.
* em Papéis Inesperados
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Gauchão de Literatura
Aliás, quase que esqueço.
Ontem saiu minha resenha, ou melhor, o jogo apitado por mim, no Gauchão de Literatura. Quem não sabe o que é isso, clica aqui.
Quem sabe e quer conferir quem levou a melhor, clica aqui também.
Ontem saiu minha resenha, ou melhor, o jogo apitado por mim, no Gauchão de Literatura. Quem não sabe o que é isso, clica aqui.
Quem sabe e quer conferir quem levou a melhor, clica aqui também.
e o livro, heim?
Segundo, melhor, terceiro dia de FLIP. O primeiro foi a Conferência de Abertura, com o FHC que falou sobre o Gilberto Freire. Confesso que não anotei uma palavra, porque tenho problemas em anotar qualquer coisa quando vejo alguem discursando sem, quase, um minuto de folga. Dá uma paralisia, eu ouço e ouço e ouço e depois, é claro, não lembro de nada. Ou então, lembro de uma coisa muito mentirosa e inventada, aquilo que penso que ouvi, misturado com o pouco que sei e com o muito que acho que sei.
Bom, mas agora que consegui, finalmente, conectar no wifi do stand da Folha, pode ser que me anime a deixar algumas impressões. (internet e café cortesia, uma boa razão para fazer intervalo e usar a tecnologia entre debates).
Sobre as meses, que não entendo o porque desse nome já que os participantes se acomodam em poltronas, estão com uma média boa.
Sem tempo para uma análise maior, vou repetir as palavras de Peter Burke sobre o tema-catástrofe que ocupa duas das mesas: o que será do livro?
Para ele, os hábitos de leitura estão mudando, já que o equilíbrio entre os modos de leitura mudam ao longo dos tempos. A grande questão é que a geração atual (a dele, a minha), sabe ler lentamente. O que se está perdendo nessa mudança.
E "ler lentamente é como a cozinha lenta - é muito importante para a civilização".
Bom, mas agora que consegui, finalmente, conectar no wifi do stand da Folha, pode ser que me anime a deixar algumas impressões. (internet e café cortesia, uma boa razão para fazer intervalo e usar a tecnologia entre debates).
Sobre as meses, que não entendo o porque desse nome já que os participantes se acomodam em poltronas, estão com uma média boa.
Sem tempo para uma análise maior, vou repetir as palavras de Peter Burke sobre o tema-catástrofe que ocupa duas das mesas: o que será do livro?
Para ele, os hábitos de leitura estão mudando, já que o equilíbrio entre os modos de leitura mudam ao longo dos tempos. A grande questão é que a geração atual (a dele, a minha), sabe ler lentamente. O que se está perdendo nessa mudança.
E "ler lentamente é como a cozinha lenta - é muito importante para a civilização".
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
espiral borgeano
Fonte: Bicho da Goiaba
Instalação dos artistas Gualter Pupo e Marcos Saboya. São 60 mil livros que formam um labirinto espiralado, no primeiro piso do Shopping Leblon. Quem passar por lá até o dia 29 agora, pode conferir. Depois, os livros serão doados pra bibliotecas públicas.
Instalação dos artistas Gualter Pupo e Marcos Saboya. São 60 mil livros que formam um labirinto espiralado, no primeiro piso do Shopping Leblon. Quem passar por lá até o dia 29 agora, pode conferir. Depois, os livros serão doados pra bibliotecas públicas.
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A Inefabilidade da morte
A Inefabilidade está associada a qualquer coisa, objeto, entidade, fenômeno, sentimento e tals, que não pode ser dito. Pelo menos não em linguagem humana.
Ou seja, inefável é, por exemplo, um sentimento que não pode, ou não deve, ser transmitido pela linguagem. Ou ainda, são impossíveis de se descrever e, portanto, só podem ser sentidos.
Nos últimos dias, por algumas questões, a morte esteve um tanto presente nos meus dias. Vamos entender morte do sentido restrito, mas também no sentido amplo. Pessoas morrem, pessoas que já morreram voltam a morrer muitas vezes dentro da gente, sentimentos falecem sem que a gente se dê conta.
A morte é inefável. Não tem o que ser dito, é impossível de descrever entre mortos e entre os vivos. Mas somos idiotamente humanos, e essas situações nos forçam a pensar sobre a vida, tipo um balanço. Colocamos na balança o quanto vivemos, e o quanto produzimos nessa vida, até o momento. Por uma questão de educação, ficamos quietos, mas também colocamos no outro lado da balança o medo de sermos o cadáver, e a culpa vergonhosa causada pelo alívio de que não o somos.
A inefabilidade pode ter a ver com o fato de não admitimos de que não exististe um prazo, ou então, no mínimo, uma sequência natural das coisas: só poderemos morrer quando estivermos tão velhos que não conseguiremos mais ficar vivos. O que é uma falásia: nunca vamos nos sentir velhos o suficiente para pensar "ok, agora posso morrer". Afinal, a idade de cada um é atemporal.
A inefabilidade da morte também acorda a inefabilidade dos sonhos. Que, enquanto sofremos com alguma perda, como se estivéssemos magoados com nós mesmos, julgamos inúteis. Coitados dos sonhos, essa matéria tão útil e tão acessível aos seres humanos.
É a perspectiva que damos aos sonhos que os torna inúteis. Quando "sonhamos", queremos algo além de qualquer coisa presente no dia a dia. Nunca sonhamos em acordar, sair para rua e ver como são interessantes as nuvens. Ou talvez sonhamos com isso só quando somos crianças, porque depois a coisa lúdica se perde e viramos escravos de uma realidade banal. O dia-a-dia, o modo como dizem que devemos viver a rotina (trabalhando, sendo responsáveis, ganhando dinheiro, dormindo e comendo coisas naturais para não termos colesterol) nos tira totalmente o acesso ao poroso, aquela porção de ar capaz de colocar em nossas vidas o fantástico e o mágico.
Então, depois de revoltados com a inevitabilidade da morte, nos viramos contra os sonhos. São as pessoas que preferem não sonhar para não precisar acordar. Mas será que viver sempre acordado é bom? Fico imaginando que seria como passar uma semana sem dormir. Além do cansaço, seca os olhos de tal forma, que eles se tornam quase inúteis. É quando se deixa de reparar o quanto pode ser interessante, simplesmente, ver uma formiga escalando uma parede.
Por outro lado, tem os que sonham demais (e eu me coloco nesse time). Sonhar demais não deixa de ser uma foma de lidar com a inefabilidade da morte. Dormindo, nada precisa ser dito. Porém, dormir demais pode causar a sensação de que todo mundo está na roda, girando na roda, fazendo a roda andar, e você fora da roda, vendo a vida estacionada. Para completar a confusão, somos ocidentais e não monges budistas muito satisfeitos com o desapego e com o fato de renascerem como grilos.
Bom mesmo, e é um clichê, mas o clichê faz parte da engrenagem da roda, seria encontrar o meio termo. A possibilidade de viver a realidade, sem perder o olhar para o poroso, para o que é fanstástico – como os gatos do Cortázar. Achar isso impossível, significa duvidar da capacidade produtiva de nossos cérebros – e temos polegares opositor, ora essa!
Mais um clichê: assim como a morte, que não agenda horário, não existe momento para que se comece a perceber que a realidade e o absurdo se confudem, e, por isso, viver pode ser mais leve, fazendo com que a morte, seja qual for o tipo de morte, não pese tanto nos ombros.
O melhor disso é que para alcançar a porosidade, não existe altura da vida. Ou melhor, a altura da vida depende da nossa própria escada.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
imprensa
Ainda em ritmo de feira-do-livro, dei minha opinião em matéria sobre novos autores no Correio do Povo (saiu na edição de Domingo)
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Janelas
I
reflexo extrudido
no coletivo
passageira de mim mesma
II
Jaz o dia
o céu de gris
cimenta a cidade
III
voo e vejo
nuvens que se
afogam no mar.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
dia de feira
A Feira do Livro de Porto Alegre (número cinquenta e alguma coisa) começou sexta passada. É sempre empolgante, os jacarandás sempre ficam mais coloridos, cada ano ela é a maior feira de livros a céu aberto da América Latina, cada ano eu descumpro a promessa de não comprar mais do que os livros da lista-de-livros-para-comprar-na-feira, e tals.
Esse ano não estou tão emocionada e tudo mais. Não sei porque. Pode ser que, mas pode ser também que não, apenas uma tristeza muito minha e muito particular dessas que só champanhe e talvez cerveja de qualidade resolva, mas a verdade é que andando lá no meio da praça cada e dos stands cada vez mais arrumadinhos e limpinhos e tudo mais, dói ver que a Feira do Livro se transforma ano a ano em uma Feira totalmente mercadológica. O que eu quero dizer, é uma feira voltada ao mercado e não é uma feira voltado ao Leitor.
Mas, vocês poderão argumentar, o Leitor não é quem faz o mercado? Não, meus amigos. Nem sempre é. Talvez o leitor seja aquele que faça o mercado, mas o Leitor não. Pois se o Leitor fosse responsável por fazer o mercado eu não teria levado tantos "nãos" em tão pouco tempo que percorri meia dúzia de bancas atrás de livros nem tão difíceis de se encontrar. Aliás, livros que tem nas livrarias, mas que elas não levam para Feira, pois sabe como é, né: não vende. Uma delas chegou a me dizer: o que tem é o que tá ai na frente, senão tem que pedir que a gente manda buscar na loja. E "o que tinha ali na frente"? Vampiros, espíritos, bruxos, conselheiros para uma vida melhor, mais fácil, mais prática, ou seja, tinha tudo aquilo que gira o mercado, e que o amado leitor adora. Mas que o Leitor não quer.
Enquanto isso, nos bastidores, continuam os papos com os autores, as palestras e as sessões de autógrafos. São autografados livros que você não encontra em lugar nenhum para vender, são discutidas obras que nenhum vendedor conhece, e olha só que legal, já que é o ano da França no Brasil, você vai ouvir o que tem para dizer os pensadores franceses que estão em voga. Mas leva bastante papel e caneta, porque não adianta querer ler o que eles escreveram, porque se você ousar pedir por algum dos autores nas bancas, é capaz de um dos vendedores pensar que você está espirrando e olhar com cara feia, afinal, a gripe A ainda assusta.
Esse ano não estou tão emocionada e tudo mais. Não sei porque. Pode ser que, mas pode ser também que não, apenas uma tristeza muito minha e muito particular dessas que só champanhe e talvez cerveja de qualidade resolva, mas a verdade é que andando lá no meio da praça cada e dos stands cada vez mais arrumadinhos e limpinhos e tudo mais, dói ver que a Feira do Livro se transforma ano a ano em uma Feira totalmente mercadológica. O que eu quero dizer, é uma feira voltada ao mercado e não é uma feira voltado ao Leitor.
Mas, vocês poderão argumentar, o Leitor não é quem faz o mercado? Não, meus amigos. Nem sempre é. Talvez o leitor seja aquele que faça o mercado, mas o Leitor não. Pois se o Leitor fosse responsável por fazer o mercado eu não teria levado tantos "nãos" em tão pouco tempo que percorri meia dúzia de bancas atrás de livros nem tão difíceis de se encontrar. Aliás, livros que tem nas livrarias, mas que elas não levam para Feira, pois sabe como é, né: não vende. Uma delas chegou a me dizer: o que tem é o que tá ai na frente, senão tem que pedir que a gente manda buscar na loja. E "o que tinha ali na frente"? Vampiros, espíritos, bruxos, conselheiros para uma vida melhor, mais fácil, mais prática, ou seja, tinha tudo aquilo que gira o mercado, e que o amado leitor adora. Mas que o Leitor não quer.
Enquanto isso, nos bastidores, continuam os papos com os autores, as palestras e as sessões de autógrafos. São autografados livros que você não encontra em lugar nenhum para vender, são discutidas obras que nenhum vendedor conhece, e olha só que legal, já que é o ano da França no Brasil, você vai ouvir o que tem para dizer os pensadores franceses que estão em voga. Mas leva bastante papel e caneta, porque não adianta querer ler o que eles escreveram, porque se você ousar pedir por algum dos autores nas bancas, é capaz de um dos vendedores pensar que você está espirrando e olhar com cara feia, afinal, a gripe A ainda assusta.
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